quinta-feira, 11 de julho de 2013

A igreja é o reflexo do seu pastor

A Igreja é o reflexo do seu pastor e, se o pastor se espelha nas Escrituras Sagradas, a igreja que ele pastoreia irá refletir esta mesma imagem. Mas o que temos visto por aí nesses últimos anos é uma total descrença no ministério pastoral, pois muitos não estão refletindo a imagem de Cristo. Foi feita uma pesquisa a respeito das três classes que estão mais desacreditadas e a conclusão que se chegou foi: os políticos, a polícia e os pastores. Isso tem ocorrido porque os pastores estão deixando de ser aquilo que pregam. Muitos estão mais envolvidos com as coisas dessa terra do que com o seu chamado. Charles Spurgeon dizia para os seus alunos: “Meus filhos, se a rainha da Inglaterra vos convidar para serdes embaixadores em qualquer país do mundo, não vos rebaixeis de posto, deixando de ser embaixadores do Reis dos reis e do Senhor dos senhores”.
A crise que tem atingido a sociedade tem respingado na Igreja, e o pior, tem chegado até o púlpito. Embora estejamos vivenciando um crescimento numérico na Igreja Brasileira, não temos visto a transformação da nossa sociedade. Tudo isso é um reflexo de que a Igreja não tem tido uma mensagem transformadora, mas uma mensagem moldadora. Uma mensagem que faz bem aos ouvidos, mas que não transforma o coração. E tudo isso, infelizmente, vem do púlpito. Outros por medo de perderem o seu lugar na igreja local se tornam boca do povo para Deus e não boca de Deus para o povo, ou seja, pregam o que o povo quer ouvir e não o que eles precisam ouvir.
Pastores que agem assim são, geralmente, pastores com muita “unção”, mas sem nenhum caráter. É bom lembrar que o caráter sustenta a unção e não vice versa. Há uma crise pastoral e ela precisa ser sanada muito rapidamente, para que a próxima geração não esteja totalmente perdida. Estamos vivendo uma crise ministerial isso é um fato. E isso começa com a teologia que muitos seguem. Muitos estão abraçando várias teologias, menos a bíblica. Vejamos o que tem atuado em muitas igrejas hoje:
O Evangelho da Prosperidade – onde a benção e a graça de Deus sobre a pessoa é medida pelos bens que ela possui. Teologia esta que está na maioria dos púlpitos das igrejas pentecostais e neopentecostais. Descobri recentemente um detalhe interessante nesta teologia, que Cristo morreu na Cruz do Calvário para que eu tivesse muita saúde, carro zero, casa na praia e ser muito rico, ou seja, Jesus não passa de um gênio da lâmpada.
Teologia Inclusiva – A Teologia Inclusiva, como a própria denominação sugere, é um ramo da teologia tradicional voltado para a inclusão, prioritariamente, dos homossexuais. Segundo os seus adeptos, a Teologia Inclusiva contempla uma lacuna deixada pelas estruturas religiosas tradicionais do Cristianismo, pois, por meio da Bíblia, compreende que todos os que compõem a diversidade humana, seja ela qual for, têm livre acesso a Deus por meio do sacrifício de Jesus Cristo na cruz. É o famoso venha como está e fique como está.
Alguns textos que condenam o homossexualismo: Gn 19; Lv 18.22, 20.13; Rm 1.24-28,32; 1Co 6.9,10; 1Tm 1.8-10. Mas Deus é poderoso para mudar a vida dessas pessoas.
Teísmo Aberto ou Teologia Relacional – O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas. Deus não é soberano. Deus ignora o futuro, pois Ele vive no tempo, e não fora dele. Ele aprende com o passar do tempo. Deus se arrisca. Ao criar seres racionais livres, Deus estava se arriscando, pois não sabia qual seria a decisão dos anjos e de Adão e Eva. E continua a se arriscar diariamente. Deus corre riscos porque ama suas criaturas, respeita a liberdade delas e deseja relacionar-se com elas de forma significativa.
Igrejas Emergentes – As igrejas emergentes estão mais preocupadas com o ouvinte do que com a mensagem em si, e em seu desejo de pregar um evangelho que seja “aceitável” ao homem pós-moderno, acabam por negligenciar os pressupostos básicos do cristianismo, chegando mesmo a negar a literalidade do nascimento virginal de Cristo, seus milagres, a ressurreição de Jesus e a existência do inferno eterno. É “a preferência pela vivência correta ao invés da doutrina correta”. Teologia passa longe dessas igrejas.
Missão Integral – Esse evangelho não passa de uma variante protestante da Teologia da Libertação. Os que defendem essa teologia são líderes cristãos que continuam trancados no armário do socialismo.[1]
Teologia Liberal (Liberalismo Teológico) – A “Teologia Liberal é um movimento que, iniciado no final do século XIX na Europa e Estados Unidos, tinha como objetivo extirpar da Bíblia todo elemento sobrenatural, submetendo as Escrituras ao crivo da crítica científica (leia-se ciências humanas) e humanista. No liberalismo teológico, geralmente, não há espaço para os milagres, profecias e a divindade de Cristo Jesus”. Relativizando a autoridade da Bíblia, o liberalismo teológico estabeleceu uma mescla da doutrina bíblica com a filosofia e as ciências da religião. Ainda hoje, um autor que não reconhece a autoridade final da Bíblia em termos de fé e doutrina é denominado, pelo protestantismo ortodoxo, de “teólogo liberal”. Um pequeno exemplo nós encontramos em relação à existência de Jó. Para os liberais ele não passa de uma alegoria, mas então eu me questiono porque que em Ez 14.14, 20; Tg 5.11 falam dele como se ele fosse um personagem real? Então eu fico com a Bíblia e não com os defensores dessa teologia. Bem disse Jesus “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mt 22.29).
O que temos visto hoje em dia, são muitos pastores confusos teologicamente em seus ministérios. O Rev. Hernandes Dias Lopes nos fala que a igreja evangélica brasileira vive um fenômeno estranho. Estamos crescendo explosivamente, mas ao mesmo tempo estamos perdendo vergonhosamente a identidade de evangélicos. O que na verdade está crescendo em nosso país não é o evangelho, mas outro evangelho, um evangelho híbrido, sincrético e místico. Vemos prosperar nessa terra uma igreja que se diz evangélica, mas que não tem evangelho. Prega sobre prosperidade, e não sobre salvação. Fala de tesouros na terra, e não de tesouros no céu.
Nessa babel de novidades no mercado da fé, o Rev. Hernandes Dias Lopes identifica alguns tipos de pastores:[2]
Primeiro, há pastores que são mentores de novidades. São pastores marqueteiros. Quando um pastor entra por esse caminho, precisa ter muita criatividade, pois uma novidade é atraente por algum tempo, mas logo perde seu impacto. Aí é preciso inventar outra novidade. É como chiclete. No começo você mastiga, ele é doce, mas depois você começa a mastigar borracha.
Segundo, há pastores que são massa de manobra. São pastores sem rebanho que estão a serviço de causas particulares de obreiros fraudulentos.
Terceiro, há pastores que deliberadamente abandonaram a sã doutrina. Muitos pastores inexperientes, discipulados por esses mestres do engano, abandonam o caminho da verdade e se capitulam à heresia. É importante afirmar que o liberalismo é um veneno mortífero. Aonde ele chega, mata a igreja. Há muitas igrejas mortas na Europa, na América do Norte e, agora, há igrejas que estão flertando com esse instrumento de morte também no Brasil. Não temos nenhum registro de um liberal que tenha edificado uma igreja saudável. Não temos nenhum registro de um liberal que tenha sido instrumento de Deus para um grande reavivamento espiritual.
Quando uma igreja chega ao ponto de abandonar sua confiança na inerrância e suficiência das Escrituras, seu destino é caminhar rapidamente para a destruição.
A teologia define o caráter e à medida que o pastor se afasta da teologia bíblica, automaticamente ele irá se afastar de Deus e seguir outra direção. Mudar a mensagem para agradar aos ouvintes é mercadejar a Palavra de Deus. Os bancos não podem controlar o púlpito. O pastor não pode ser seduzido pelas leis do mercado, mas deve ser um fiel despenseiro de Deus (1Co 4.1,2). O dever do pregador não é encher o auditório, mas encher o púlpito. Querendo as pessoas ou não ouvir a verdade, não temos que fazer marketing religioso e de falar apenas o que elas querem ouvir. A crise moral e espiritual está por demais enraizadas para ser solucionada com remendos superficiais. Por isso precisamos urgentemente reavaliar a nossa teologia, a nossa fé e o nosso ministério para não cairmos também no descrédito assim como muitos tem caído.
Notas:
[1] Venâncio, Norma Braga. A Mente de Cristo Conversão e Cosmovisão Cristã. Ed. Vida Nova, São Paulo, SP, 2012: p. 49.
[2] Lopes, Hernandes Dias. De: Pastor A: Pastor. Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2008: p. 22,23.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A VERDADE TRANSFORMDORA DO EVANGELHO


Por Pr. Silas Figueira  

“No dia seguinte, estava João outra vez na companhia de dois dos seus discípulos e, vendo Jesus passar, disse: Eis o Cordeiro de Deus! Os dois discípulos, ouvindo-o dizer isto, seguiram Jesus. E Jesus, voltando-se e vendo que o seguiam, disse-lhes: Que buscais? Disseram-lhe: Rabi (que quer dizer Mestre), onde assistes? Respondeu-lhes: Vinde e vede. Foram, pois, e viram onde Jesus estava morando; e ficaram com ele aquele dia, sendo mais ou menos a hora décima. Era André, o irmão de Simão Pedro, um dos dois que tinham ouvido o testemunho de João e seguido Jesus. Ele achou primeiro o seu próprio irmão, Simão, a quem disse: Achamos o Messias (que quer dizer Cristo), e o levou a Jesus. Olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, o filho de João; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro”). (Jo 1.35-42)
 
Estamos vivenciando dias tenebrosos em relação à mensagem do Evangelho. O Evangelho puro e simples tem sumido dos púlpitos e tem sido pregado em seu lugar outro evangelho; como disse o apóstolo Paulo em Gálatas 1.6,7: 

“Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo”. 

Outro evangelho é o que temos visto por aí. Um evangelho híbrido, que tem sido o cruzamento do Evangelho com ideias humanas, nascendo assim um monstro devorador, levando as pessoas a terem uma ideia totalmente distorcida de quem seja realmente Jesus, e, principalmente, porque Ele morreu na cruz.

O Evangelho puro e simples tem sido substituído pelo sincretismo religioso (Sincretismo - Sistema filosófico ou religioso que tende a fundir numa só várias doutrinas diferentes; ecletismo). Estamos vivendo a época onde muitas igrejas têm adotado em seus cultos certos costumes e ritos de outras religiões, como por exemplo, o sal grosso, da rosa ungida, águas vindas de Israel, óleo consagrado... No entanto, tudo isso não passa de uma distorção do verdadeiro Evangelho. Do Evangelho que liberta o pecador e traz alento a alma carente da graça de Deus. 

O texto em apreço nos leva a reflexão sobre o quanto a Verdade do Evangelho pode transformar o ser humano. E por que cremos assim?
Por algumas razões que encontramos no próprio texto e leva a ver de forma clara o quanto o Evangelho puro e simples é abeçoador e transformador. Vejamos:

1 – Em primeiro lugar: o Verdadeiro Evangelho leva as pessoas seguirem a Cristo e não seguirem a homens (Jo 1.35-37).

João Batista começa a se desvencilhar dos seus discípulos, pois ele veio para anunciar a Jesus e fazer com que as pessoas seguissem a Cristo e não a ele:
“No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! É este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim. Eu mesmo não o conhecia, mas, a fim de que ele fosse manifestado a Israel, vim, por isso, batizando com água. No dia seguinte, estava João outra vez na companhia de dois dos seus discípulos e, vendo Jesus passar, disse: Eis o Cordeiro de Deus! Os dois discípulos, ouvindo-o dizer isto, seguiram Jesus”. (Jo 1.29-31; 35-37.

Hoje o que mais temos visto são líderes preocupados em fazer seus seguidores, seus discípulos e não discípulos de Jesus, ou então seguidores de determinadas igrejas (venha para minha igreja e você será abençoado...). Estamos vivendo a época do culto a celebridade. As pessoas vão ao culto por causa de fulano, por causa de beltrano e não para adorar a Jesus. 

2 – Em segundo lugar: o Verdadeiro Evangelho testemunha a verdade que é Cristo o Messias (Jo 1.40,41).

“Era André, o irmão de Simão Pedro, um dos dois que tinham ouvido o testemunho de João e seguido Jesus. Ele achou primeiro o seu próprio irmão, Simão, a quem disse: Achamos o Messias (que quer dizer Cristo)”.
André vai se encontrar com seu irmão Simão para dizer que havia encontrado o Messias. 

O povo Judeu esperava ansioso o surgimento de um Salvador, o Messias. Aguardavam dia a dia o surgimento desta pessoa prometida por Deus.

Esperavam porque esse Salvador fora prometido diversas vezes no Antigo Testamento. Veja um texto apontando o surgimento dessa pessoa: “Eis que o SENHOR fez ouvir até às extremidades da terra estas palavras: Dizei à filha de Sião: Eis que vem o teu Salvador; vem com ele a sua recompensa, e diante dele, o seu galardão.” (Is 62).

A palavra Messias em hebraico quer dizer “ungido”. É um título que significa que a pessoa era separada especialmente pelo Senhor para uma obra especial. Jesus era esse Messias. O Ungido prometido por Deus. Daí nós entendemos o grande entusiasmo de André em falar a todos que havia encontrado “O Messias”, Jesus.

Inclusive, a palavra “Cristo” não é um sobrenome de Jesus, mas um título. Cristo na língua grega significa “ungido”. Assim, Messias (em hebraico) e Cristo (em grego) são títulos que significam a mesma coisa: Ungido.

André apresentou Simão ao Messias prometido, e não a mais um dos vários messias que já haviam surgido em sua época. 
 
André é um exemplo para nós. Assim como ele apresentou Jesus ao seu irmão, nós devemos apresentar Jesus às pessoas, mas não um Jesus similar como se tem pregado por aí, mas o Jesus verdadeiro. O Jesus que a Bíblia nos apresenta. 
 
3 – Em Terceiro lugar: quem tem o Verdadeiro Evangelho procura levar as pessoas a conhecer a Cristo (Jo 1.42a).

“e o levou a Jesus...”

André não se conteve após ter encontrado Jesus. Ele procurou em primeiro lugar o seu irmão e lhe falou que havia encontrado o Messias e levou Simão até Jesus. Faça como André não retenha essa grande descoberta!

Conta-se uma história de um missionário na Índia que pregou para várias pessoas de uma determinada casta por vários anos, mas ninguém havia se convertido. No entanto, o seu empregado que cuidava do seu jardim de tanto ouvir o evangelho pregado pelo missionário veio a se converter e quis se batizar. Mas o missionário lhe disse que ele não havia vindo a Índia para pregar para a casta daquele homem e que não iria batiza-lo. No entanto a esposa do missionário lhe falou que era para batizá-lo, pois afinal de contas fora o único que havia se convertido. O missionário concorda com a esposa e o batiza com a seguinte condição: não contar para ninguém que ele havia se convertido e que fora batizado por ele. 


No dia do seu batismo ele estava radiante de felicidade. Porém, no dia seguinte ao seu batismo, ele desapareceu da casa do missionário. Por vários meses ele ficou sem dar notícias. Até que um belo dia ele aparece na porta da casa do seu patrão. Pediu desculpas, e disse que  ele havia feito aquilo porque ele não conseguiu se conter de tanta felicidade e saiu pelos vilarejos contando para todo mundo o que Jesus havia feito em sua vida e pregando o evangelho que ele havia aprendido ouvindo o missionário. Por isso estava de volta e havia trazido cerca de umas cem pessoas para o missionário batizar. E assim mês após mês ele trazia várias outras pessoas para o missionário batizar. Em pouco tempo havia mais de mil pessoas alcançadas pelo evangelho através daquele indiano.


O que aquele indiano tinha e faltava ao missionário era o entusiasmo de levar as pessoas a conhecerem a Cristo e o desejo de apresentá-Lo a todas as pessoas, independente de qual casta essa pessoa era. André fez isso!


O QUE O VERDAIRO EVANGELHO CAUSA EM NOSSAS VIDAS?


No momento em que Simão teve o encontro com Jesus três fatos marcaram a vida Simão. E o que ocorreu com ele ocorre com cada pessoa que tem um encontro real com o Salvador.


1 – Em primeiro lugar: Jesus mostrou para Simão que conhecia o seu passado (Jo 1.42b).


“Olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, o filho de João”.  Jesus estava dizendo para Simão que conhecia a sua origem, seus parentes, a história de sua vida. Jesus estava dizendo para Simão que sabia como ele havia sido criado. 


Jesus estava dizendo para Simão que conhecia as suas vitórias e também os seus fracassos; devido a vida e criação que Simão havia recebido de seus pais, Jesus estava dizendo para Simão que conhecia as suas angústias e seus sonhos. Que para Ele não havia nada oculto na vida de Simão. 


Jesus também olha para você e sabe da sua história de vida. Conhece muito bem de onde você veio. Quais são as suas heranças genéticas. O que você herdou de seu pai e de sua mãe. Conhece o seu gênio, suas inquietações, seu medos e também seus sonhos.


2 – Em segundo lugar: Jesus mostrou para Simão que conhecia o seu presente (Jo 1.42b).


“Olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão...”


Jesus estava dizendo para Simão que conhecia o que a sua criação havia proporcionado a ele como pessoa, como cidadão judeu e o que ele havia se tornado.


Jesus também olha para cada um de nós hoje e nos diz a mesma coisa. Jesus conhece os nossos medos, as nossas manias. 


O quanto você muitas vezes esteve sorrindo por fora, mas chorando por dentro. 


Jesus sabe que muitas vezes você já se perguntou por que você nasceu assim; porque você não se sente amado pelos seus pais ou quem sabe pelos seus amigos. Jesus conhece você e sabe o quanto muitas vezes você se sentiu um lixo, algo descartável; um nada. Mas eu quero lhe contar uma breve história. Preste atenção. O título dela é: Lixo para uns... Tesouro para outros.


Um homem certa vez foi até uma garagem de uma casa onde estava havendo a venda de vários objetos. Ele observou que no fundo da garagem, coberta por um cobertor, estava uma moto. Mas não era uma moto qualquer, era uma Harley-Davidson, ele então perguntou se a moto também estava a venda. A pessoa lhe falou que poderia até vender, mas o motor dela não funcionava. Nem sai do lugar. Vale mais a pena comprar uma nova que tentar consertar essa coisa velha. Mesmo com todas essas informações ele perguntou quanto ele queria naquela sucata. Bem, creio que no ferro velho eu consiga vendê-la por uns 35 dólares. Eu lhe pago esse valor então, respondeu Bob. Posso pegá-la amanhã?


De repente, a velha Harley estava ocupando na garagem de Bob. Depois de algumas semanas de protelação, ele resolveu telefonar para a fábrica da Harley-Davidson só para saber quanto custariam as peças principais de reposição. O telefone foi transferido para o setor de peças; o funcionário lhe perguntou qual era o número de série da moto. Bob forneceu o número.


Quando o homem do setor de peças volta a sua voz parecia diferente. Estranha. Ponderada. Como se alguma coisa importante estava prestes a acontecer. 


- Eu... eu vou precisar lhe telefonar de volta para você, está bem? Você poderia me fornecer seu nome completo, telefone e endereço? Por favor?


Bob não viu nenhum mal nisso, pois ele achou que iria fazer parte de alguma lista de motociclistas.


Alguns dias depois o telefone de sua casa toca. Dessa vez, contudo, não era o funcionário do setor de peças; Bob se viu falando com um dos executivos da Harley. O homem então lhe falou:


- Preste atenção, Bob – ele disse -, quero que você me faça um favor, está bem?


- Hum... bem, acho que sim.


- Bob, quero que você deixe o telefone de lado, sem desligá-lo, retire o assento de sua moto e veja se existe alguma coisa escrita embaixo dele. Você faria esse favor, Bob?


O homem falava igual um controlador de tráfego aéreo.


Bob então faz o que o homem do outra lado da linha havia pedido e retornou ao telefone.


- Sim – ele disse -, existe alguma coisa escrita ali. Está escrito: “O REI”. O que isso quer dizer?


O homem ficou mudo por alguns segundos do outro lado da linha.


Quando voltou a falar disse:


- Bob, meu patrão autorizou-me a lhe oferecer 300 mil dólares pela moto, com pagamento à vista. O que você acha? Podemos fechar negócio?


Bob ficou tão atordoado que mal conseguia falar.


-Eu... eu... preciso pensar um pouco – ele gaguejou. 


No dia seguinte ele recebeu o telefonema de um famoso apresentador de televisão lhe oferecendo 500 mil dólares pela moto velha.


“O REI” era nada mais nada menos do que Elvis Presley, aquela velha moto havia pertencido a ele e estava sendo procurada a muitos anos. Aquela moto velha comprada por 35 dólares valia cerca de 700 mil dólares. Essa moto era uma relíquia, pois havia pertencido ao rei do Rock’n Roll. 


O valor não tinha nada a ver com a beleza da moto, com o material usado em sua fabricação, nem em seu desempenho... Tudo estava ligado ao fato de que ela havia pertencido ao Rei do Rock. 


Eu quero dizer para você que o Rei dos reis lhe tocou. Seu nome está escrito no Livro da Vida. Ele, o Rei dos reis, Jesus habita em seu coração. O seu preço é o preço que Jesus pagou na cruz do Calvário por você. Ainda que você ou outras pessoas lhe digam que você não tem valor eu lhe digo e Jesus está lhe dizendo também: você tem valor, pois o Rei Jesus lhe marcou. O Rei Jesus lhe comprou e lhe resgatou. 


Veja o que a palavra de Deus nos fala em Romanos 8.30:


“E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou”. 


Você pode se sentir um lixo, mas você tem valor, por isso não se sinta assim.


3 – Em terceiro lugar: Jesus mostrou para Simão que conhecia o seu futuro (Jo 1.42b).


“...tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro)”.


Em outro encontro que Jesus teve com Pedro lhe confirmou o que  havia lhe dito:


“Disse Jesus a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens” (Lc 5.10c).


“Quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus” (Mt 16.15-19). 


Em Jesus nós temos uma nova vida. O nosso futuro sempre será glorioso, pois Ele tem uma mudança de vida a realizar em nós todos os dias, para que o nome dEle seja glorificado em nós.


Você vai se chamar Pedro e não será mais conhecido como Simão. Você não se chamará mais Jacó, mas Israel. Não se chamará mais Abrão, mas Abraão. O nome mudado significa história também mudada. Ainda que o nosso nome continue o mesmo, mas a nossa história de vida será totalmente diferente em Cristo Jesus nosso Senhor. 


Você não será mais conhecido como bandido, mas como servo do Deus altíssimo. Você não será mais conhecida como prostituta, mas como uma mulher santa e abençoada pelo Senhor. Jesus marcou o seu coração. 


Aos olhos do mundo podemos parecer sem valor, mas para o nosso Deus nós valemos muito, pois o REI JESUS está em nosso coração.


O Verdadeiro Evangelho revela Jesus e traz transformação e alegria para as nossas vidas.


Que o Senhor nos abençoe e nos guarde!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Repreensão de Jesus a igreja de Éfeso: um alerta para nós hoje


“Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor” (Ap 2.4).

“Tenho, porém, contra ti…”

Observe que a repreensão vem logo após o elogio. Isso faz parte de uma avaliação honesta. Essas duas coisas são extremamente importantes em nossas vidas, pois, se criticarmos aos outros de forma construtiva e também elogiarmos o que há de bom neles, as nossas críticas se mostrarão carregadas de um poder que irá transformar as pessoas para melhor. Porém, se tão somente criticarmos as pessoas, ignorando qualquer coisa de bom que há neles, poderemos apenas feri-los, piorando o estado deles. Por outro lado, se não fizermos outra coisa senão elogiá-los, então eles ficarão extremamente mimados, tendo uma ideia falsa sobre aquilo que realmente são, nada vendo que deva ser modificado, ao passo que, na vida de qualquer pessoa, sempre haverá coisas que precisam de modificação e aprimoramento. Assim como Deus trabalhou com a igreja de Éfeso, do mesmo modo o Senhor trabalha conosco também.

“… abandonaste o teu primeiro amor”.

Abandonas-te no grego é “aphekas”, o aoristo de “aphiemi”, que significa “partir”, “ir embora”, dispensar”. Essa mesma palavra era usada para indicar o “repúdio” ou “divórcio”. [1]

Esta igreja tinha mais de quarenta anos quando Jesus ditou esta carta. Outra geração havia surgido. Os filhos não experimentavam aquele entusiasmo intenso, aquela espontaneidade e o ardor que havia revelado os pais quando tiveram o primeiro contato com o evangelho. Não apenas isso, mas faltava à geração seguinte a devoção a Cristo. A igreja de Éfeso tornou-se farisaica, pois ela deixou de herança o zelo pela Palavra, mas como se fosse uma lei, mas não deixou de herança o amor que é o vínculo da perfeição. A igreja havia abandonado o seu primeiro amor. O problema da igreja de Éfeso é, com certeza, o problema da maioria das igrejas de hoje: fazer as coisas sem solidariedade amorosa.

Quando abandonamos o primeiro amor, significa que abrimos mão de algo e elegemos outras coisas em seu lugar. Quando fazemos as coisas por fazer, por causa da instituição ou da denominação, pela sedução do crescimento numérico da igreja, pela fama e pelo status que se obterão na cidade ou coisas do tipo, essas são provas evidentes de que nossas motivações são impuras e estão prostituídas [2].

Aqui é necessário parar e realizar uma urgente avaliação: fazemos as coisas por amor a Deus ou por amor a nós mesmos? Se for por amor a Deus, então a glória será dEle e para Ele; se for por amor a nós e à nossa própria igreja, então a glória será nossa. É necessário decidir, e rápido, antes que o próprio Senhor venha a dizer para nós: “Tenho, porém contra ti!”

Este era um fracasso que atacara sua vida cristã pelas bases. O Senhor tinha ensinado que o amor mútuo devia ser a marca que identificasse a comunhão dos cristãos (Jo 13.35). Os convertidos de Éfeso tinham experimentado este amor nos primeiros anos de sua nova existência; mas a sua luta com os falsos mestres e seu ódio por ensinos heréticos parece que trouxeram endurecimento aos sentimentos e atitudes rudes a tal ponto que levaram ao esquecimento da virtude cristã suprema que é o amor. Pureza de doutrina e lealdade não podem nunca ser substitutos para o amor [3].

A exortação para recuperar o primeiro amor não implica em relaxamento doutrinário. Doutrina sem amor corre o risco de assumir uma rigidez dogmática, na qual as pessoas passam a ser menos importantes. O contrário também é possível: desprezar princípios e valores do evangelho para acalmar ou acomodar certas situações de quem está em pecado. Uma coisa é certa: doutrina sem amor é legalismo. Amor sem doutrina é frouxidão e relaxo. Há necessidade de haver harmonia entre estas duas questões.

Deus muita vezes comparou Israel à Sua noiva e Ele mesmo ao seu noivo ou esposo. Ele fixou nela o Seu amor. No entanto ela começou a flertar com outros amantes, os deuses cananeus. Ela procedeu como uma prostituta com eles. Ela se tornou infiel e abandonou se verdadeiro marido [4].

No Novo Testamento, o novo Israel de Deus, a Igreja, é semelhantemente representado como desposado com Cristo, exatamente como o velho Israel era desposado com o Senhor [5]. Mas, assim como o amor de Israel muitas vezes havia esfriado em relação ao Senhor, esta mesma tendência estava evidente em Éfeso. Aquela primeira sensação de enlevo e êxtase havia passado. Sua antiga devoção a Cristo tinha passado. Por esse mesmo motivo o Noivo, Jesus, procura cortejar Sua noiva, a Igreja, para voltar ao seu primeiro amor. Com a mesma ternura que Jeová mostrou à volúvel e adúltera Israel, o Senhor Jesus apela à sua Igreja para que volte para Ele.

“Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas” (Ap 2.5).

“Lembra-te, pois, de onde caíste…”

A lembrança é um dom precioso. Olhar para trás pode ser pecaminoso; mas também pode ser sensato. Olhar para trás com os olhos lascivos, como fez a mulher de Ló, para os pecados de Sodoma dos quais temos sido libertos, é atrair desastre. Olhar para trás ansiosamente para os confortos despreocupados do mundo, uma vez que já pusemos a mão no arado, é não ser apto para o reino de Deus. Mas olhar para trás ao longo do caminho em que Deus nos conduziu é o mínimo que a gratidão pode fazer, e olhar para trás para as alturas espirituais que pela graça de Deus já ocupamos é dar o primeiro passo na estrada do arrependimento. Não devemos viver no passado. Mas lembrá-lo e comparar o que somos com o que fomos, é uma experiência salutar e frequentemente perturbadora [6].

Observe que a igreja de Éfeso não está sendo chamada a lembrar o seu pecado. Não está sendo dito para ela lembra-se em que situação ela caiu, mas de onde caiu. Por isso o Senhor desperta a igreja a se lembrar do amor que ela havia abandonado. O amor por Jesus havia sido substituído pelo zelo religioso. Éfeso defendia sua teologia, sua fé, suas convicções e estava até pronta a sofrer e morrer por essas convicções, mas não se deleitava mais em Deus. Não estava mais afeiçoada a Jesus. Estava como os fariseus, zelosos pelas coisas de Deus. Observando com rigor os ritos sagrados. Mas com o coração seco como um deserto.

“… arrepende-te e volta à prática das primeiras obras…”

Arrependimento não é emoção é decisão. É atitude. Não precisa haver choro, basta decisão [7]. Tanto que o termo grego é “metanoeo”, significa “mudança de mente”, que leva a uma mudança de conduta diária, mudar de direção. Isto quer dizer voltar às costas, resoluta e completamente, a todo pecado conhecido. Esse arrependimento proposto por Jesus é para que a igreja pratique as obras que realizava no princípio. É assim que acontece. A igreja nasce, cresce, vai se desenvolvendo e corre o risco de ir fazendo as coisas por fazer, um dia após outro, um domingo após o outro; o culto passa a ser apenas mais um culto, a ceia não passa de outra ceia e logo haverá outra, a pregação é apenas mais uma pregação para que as pessoas gostem ou desgostem. A rotina vai se estabelecendo, assim como os mariscos do mar se fixam nas pedras. Erwin Lutzer diz que quando ele era adolescente, ele se perguntava por que o pastor não mimeografado o sermão e o enviava aos membros pelo correio. Com isso, eles poderiam aprender as verdades bíblicas sem ter o trabalho de ir à igreja. Agora reconheço, diz ele, que pensava assim porque o pastor pregava tão sem entusiasmo, que seu desempenho quase nada acrescentava ao teor da mensagem [8].

Os pastores e líderes de igrejas precisam ser os primeiros a encabeçar a fila de arrependimento. Nossa preocupação e mentalidade institucionais podem nos conduzir a um ministério de manutenção das coisas. Corremos o risco de incorrer em esterilidade ministerial, e as pessoas de nossa comunidade notarão que o nosso ministério não faz mais sentido para elas [9].

“Volta” literalmente traduzido seria “faz”, que dá a ideia de uma atitude definitiva, a fim de que tais obras sejam constantemente praticadas. As “primeiras obras” não são novas e diferentes modalidades de ação; antes, são as mesmas obras, mas motivadas pelo amor original, de tal maneira que até pareçam novas. Seria o amor rejuvenescido [10].

“… se não, venho a ti…”

O “vir contra” do Senhor Jesus será uma consequência da escolha da igreja de Éfeso em continuar na prática do farisaísmo. A opção pertence a igreja. A graça de Deus pode ser acolhida ou reprimida. Não podemos subestimar o caos que a vontade pervertida poderá efetuar nas nossas vidas [11]. Temos um bom exemplo de uma má escolha em Gn 13.1-13 onde nos diz que Abrão e Ló separam-se por causa da briga que estava entre os pastores de Abrão e os pastores de Ló, pois eles estavam comparando as riquezas dos seus patrões. Abrão para evitar que a coisa se agravasse pediu a Ló que se apartasse dele, e lhe disse: “Acaso não está diante de ti toda a terra? Peço-te que te apartes de mim; se fores para a esquerda, irei para a direita; se fores para a direita, irei para a esquerda” (Gn 13.9). “Se” é uma condicional, que pode tornar-se uma condição de benção ou de maldição. Ló por ser ganancioso escolheu “para si toda a campina do Jordão” armando as suas tendas até Sodoma. A escolha de Ló fez com que ele perdesse todos os seus bens, como também destruiu a sua família, pois Deus destruiu Sodoma e Gomorra. Da mesma forma, estava diante da igreja de Éfeso a escolha de voltar ao primeiro amor ou não, de ter o Senhor Jesus como referencial de benção ou como referencial de castigo. Assim acontece com cada um de nós. As nossas escolhas irão definir benção ou maldição para a nossa vida.

“… e moverei do teu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas”.

A partir de 431 d.C., a cidade entrou em período de declínio, parcialmente a surtos descontrolados de malária. Suas excelentes esculturas foram removidas para outros lugares, principalmente para Constantinopla [12]. Entre 630 e 640 d.C. Éfeso caiu nas mãos dos turcos que retiraram dali os habitantes que ali restaram. A cidade mesmo foi destruída em 1403 d.C. por Timur-Lenk. Hoje seu porto marítimo é um pantanal coberto de juncos e está em ruínas. As ruínas restantes chamam-se hoje “Adscha Soluk” surgido de “Hagios Theologos”, que quer dizer “santo teólogo”, lembrando o apóstolo João, “o teólogo”, que teria sido sepultado lá [13]. No entanto, hoje, a região é escassamente habitada e inteiramente da fé islâmica. Nenhuma igreja tem um lugar seguro e permanente neste mundo. Ela está continuamente em julgamento. Se podemos julgar pela carta que o bispo Inácio de Antioquia escreveu à igreja de Éfeso no princípio do segundo século, ela se reanimou após o apelo de Cristo. Inácio faz um retrato em termos candentes. Mais tarde, porém, ela voltou a decair, e durante a Idade Média seu testemunho cristão desapareceu [14]. Devido a isso o candeeiro foi removido. O inigualável privilégio de testemunhar por Cristo perante o mundo perdeu-se para sempre. Tanto a igreja como a cidade foram destruídas; a única coisa que restou foi um lugar chamado Agasalute, e isso, ironicamente, honra a memória de João e não de Éfeso.

“… caso não te arrependas”.

Se igreja de Éfeso foi chamada ao arrependimento, fica entendido que ela era capaz de fazê-lo. Deus não impede homem algum de arrepender-se. O intuito inteiro da mensagem do evangelho é contrario a esse conceito. Mas como vimos a igreja de Éfeso não foi perseverante e perdeu a oportunidade de ter sua vida restaurada. O candeeiro é feito para brilhar. Se ele não brilha, ele é inútil, desnecessário. A Igreja não tem luz própria. Ela só reflete a luz de Cristo. Mas, se não tem intimidade com Cristo, ela não brilha; se ela não ama, não brilha, porque quem não ama está em trevas.

Pedro na sua primeira carta diz que o juízo começa pela Casa de Deus (1Pe 4.17). Antes de julgar o mundo, Jesus julga a Igreja. A igreja de Éfeso deixou de existir porque ela não soube aproveitar do tempo da visitação de Deus e não se arrependeu do seu pecado. Que isso seja um alerta para nós também nos dias de hoje.

Notas
1 Champlin, Ph. D., R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo. Ed. Candeia, São Paulo, SP, 10º reimpressão, 1998: p. 389.
2 Barro, Jorge Henrique. Uma Igreja Sem Propósitos. Ed. Mundo Cristão, São Paulo, SP, 2004: p. 25.
3 Stott, John R. W. O que Cristo pensa da Igreja. Ed. United Press, Campinas, SP, 1999: p. 27.
4 Stott, John R. W. O que Cristo pensa da Igreja. Ed. United Press, Campinas, SP, 1999: p. 22.
5 Ibid, p. 22
6 Ibid, p. 24
7 Lopes, Hernandes Dias. Apocalipse, o futuro chegou. Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2005: p. 71.
8 Lutzer, Erwin. De pastor para pastor. Ed. Vida, São Paulo, SP, 2001: p. 42.
9 Barro, Jorge Henrique. Uma Igreja Sem Propósitos. Ed. Mundo Cristão, São Paulo, SP, 2004: p. 27.
10 Champlin, Ph. D., R. N. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo. Ed. Candeia, São Paulo, SP, 10º reimpressão, 1998: p. 391.
11 Ibid, p. 391.
12 Ibid, p. 391.
13 Malgo, Wim. Apocalipse de Jesus Cristo, Vol. 1, cap. 1-5, Ed. Chamada da Meia- Noite, Porto Alegre, RS, 1999: p. 35.
14 Stott, John R. W. O que Cristo pensa da Igreja. Ed. United Press, Campinas, SP, 1999: p. 27.

Fonte: Napec

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Quando a ganância nos domina



 “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão” 1Tm 6.7-11.

O apóstolo Paulo alerta seu filho na fé Timóteo que há um perigo que nos rodeia que devemos tomar redobrado cuidado, esse perigo é a ganância. Que é o desejo de ficar rico sem qualquer escrúpulo.

Paulo na verdade está repetindo, em outras palavras, o que o Senhor Jesus disse no Sermão do Monte, quando alertou aos seus discípulos que não podemos servir a dois senhores:

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt 6.24).

O termo riqueza ou mamom é usado para descrever a cobiça que domina o coração de uma pessoa. A palavra mamom é uma transliteração da palavra hebraica “Mamom” (מָמוֹן), que significa literalmente “dinheiro”. Nas palavras tanto de Jesus como nas de Paulo o desejo de ficar rico leva a ganância ou avareza, e dessa forma quem é dominado por esse desejo acaba se afastando de Deus que é o provedor de todas as coisas e passa a confiar em Mamom como o único provedor em sua vida. Esse demônio é descrito como devorador de almas, e um dos sete príncipes do Inferno. Sua aparência é normalmente relacionada a um nobre de aparência deformada, que carrega um grande saco de moedas de ouro, e “suborna” os humanos para obter suas almas. Em outros casos é visto com uma espécie de pássaro negro (semelhante ao Abutre), porém com dentes capazes de estraçalhar as almas humanas que comprara [1].

Independentemente de sua aparência esse demônio tem seduzido muitas pessoas e a Bíblia nos alerta do perigo que é se deixar seduzir por ele. O primeiro perigo que a Bíblia nos alerta é que podermos nos tornar uma pessoa ambígua, ou seja, ficamos divididos entre dois senhores. No caso em questão a pessoa deixa de adorar a Deus pelo que Ele é e passa a servir a Mamom pelo o que ele pode vir a dar. Com isso, a pessoa que está dividida, na verdade está longe de Deus e está totalmente servindo a Satanás, pois o próprio Jesus deixou bem claro que não podemos servir a dois senhores e o Senhor não se deixa escarnecer. Veja o que ele disse aquele homem que queria servi-lo, mas que para isso ele deveria vender tudo que tinha e distribuir com os pobres, depois segui-Lo. Jesus não tinha nada contra o que ele possuía, mas da forma idolátrica que ele possuía os seus bens. A sua confiança e a sua religião estavam firmadas no que ele possuía e não em Deus que ele dizia servir (Mt 19.16-22). É bom lembrar que predominava entre os judeus daqueles dias a ideia de que as riquezas eram um sinal do favor de Deus, e que a pobreza era um sinal de falta de fé. Jesus então está mostrando para os discípulos que quem confia nas riquezas e não em Deus não entrará no Reino de Deus. Para isso Jesus ilustra a Sua palavra falando que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha (agulha de costura), do que entrar um rico no Reino de Deus:

“Então, disse Jesus a seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Mt 19.23,24).

A Bíblia nos mostra que essa busca insaciável e avarenta pelas riquezas é idolatria, a qual é demoníaca (cf. 1Co 10.19,20; Cl 3.5), e há muitos cristãos caindo nessa ilusão.

Segundo perigo que a Bíblia nos alerta é que quem é dominado por esse desejo é levado a ruína e a perdição (1Tm 6. 9).

Observe como essa ruína e perdição ocorrem. Em primeiro lugar Paulo diz que essa cobiça é uma tentação, ou seja, procede de Satanás, pois Deus não tenta ninguém e nem pode ser tentado: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta” (Tg 1.13). Deus prova os seus servos e provação é diferente de tentação (cf. Gn 22).

Em segundo lugar, Paulo nos diz que isso é uma cilada, uma armadilha para derrubar os incautos. Essa tentação leva a uma cilada que leva a muitas concupiscências insensatas e perniciosas, ou seja, o senso moral fica totalmente ofuscado como resultado da paixão que o domina [2]. A pessoa passa a agir de forma impensada, pois é dominada por um desejo incontrolável, tal pessoa perde o senso, ou seja, é dominado por uma concupiscência insensata (sem senso, que perdeu a razão). Outro detalhe que Paulo nos chama a atenção é que essa concupiscência é perniciosa. Esse termo quer dizer que é algo prejudicial, nocivo, ruinoso; perigoso. É como se a pessoa estivesse com uma febre muito grave, acompanhada de delírios, e amiúde mortal.

Em terceiro lugar, Paulo fala que tal desejo leva a pessoa à morte; morte essa que pode ser tanto espiritual quanto física, pois a pessoa é afogada na ruína e perdição. Paulo está dizendo que tal pessoa está em total decadência e desgraça. Esse é o preço pago pela ganância.  Um exemplo disso é o Mister Colibri, onde milhares de pessoas pensam que irão ficar ricas ou até mesmo milionárias da noite para o dia ganhando cerca de 240% de lucro ao mês. Isso não existe, mas tem pessoas cegas pela ganância que não conseguem ver isso.


Moeda virtual não tem lastro

A dona de casa Ivonete Mendes, de Itatiba, interior de São Paulo, é associada do Mister Colibri há quatro meses. Além dela, a irmã, a mãe e dois sobrinhos também aderiram ao site. Ivonete investiu R$ 5.000 e recebe cerca de R$ 1.300 por mês. Sua irmã já investiu R$ 15 mil e ganha mais de R$ 2.000 por mês. “É uma empresa maravilhosa, só preciso assistir a um minuto e meio de propaganda”, comemora.

Para conseguir esse lucro, ela precisa vender seu dinheiro virtual, os LPs, a outros associados, geralmente os que são mais novos no esquema. “Quando preciso de dinheiro rápido, vendo cada LP por R$ 1,70, mas já cheguei a vender por R$ 2″.

O problema é que quando houver mais vendedores que compradores, o LP vai se desvalorizar, até que os associados percebam que ele não tem valor nenhum. “É uma temeridade pessoas darem dinheiro para algo que não tem nenhuma regulamentação e nem garantia legal”, diz o professor de gestão empresarial da faculdade IBS/FGV, Pedro Leão Bispo.

“Captar dinheiro sem oferecer nenhum produto ou serviço é crime contra a economia popular”, esclarece o advogado especialista em direito criminal Fernando Khaddour. “Não conheço a Mister Colibri e não posso falar sobre a empresa, mas cabem investigações do Ministério Público ou da Polícia Federal para que sejam esclarecidas as formas de operação da empresa”. (PG) [3].

Esse amor às riquezas levam as pessoas a aprofundar raízes em todo tipo de males:
Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.

Primeiramente, se desviam da fé, ou seja, a pessoa se apostata da fé deixando de servir a Deus para servir os seus próprios interesses, pois passa a amar o dinheiro mais que a Deus. E segunda coisa que ocorre por se apostar da fé é que a própria pessoa se fere ou se transpassa com muitas dores. As consequências são as piores possíveis na vida do ganancioso. A ganância cega e leva a pessoa a amar a si mesmo (egoísmo) e passar por cima de tudo e de todos.

A MAIOR RIQUEZA É O SENHOR EM NOSSAS VIDAS

“Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão”
Depois de Paulo alertar dos perigos da riqueza, ou melhor, do amor ao dinheiro, ele mostra a Timóteo o que é prioridade na vida.

Em primeiro lugar, que na vida nada trazemos e nada levaremos dela. Em outras palavras Paulo está nos dizendo que tudo que alcançarmos nessa terra é lucro, mas ao mesmo tempo é fugas e passageiro. Observe o que ele disse: “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes”. O termo contente que dizer que temos satisfação em tudo, que estamos satisfeito com que o Senhor tem nos dado. É isso que Paulo nos fala em Filipenses 4. 10-13:

“Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade.

Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece”.

Segunda coisa que Paulo nos mostra é devemos fugir dessa tentação, pois ela pode ser maior que nossa resistência e não conseguiremos resisti-la: “Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas”. Com o pecado não se brinca, pelo contrário se foge dele.

Terceira coisa que Paulo lembra a Timóteo é que existem riquezas maiores a serem perseguidas. “Antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão”. Essas sim são riquezas que devemos buscar constantemente para sermos ricos aos olhos de Deus e também diante dos homens. Pois essas riquezas espirituais moldam e revelam o nosso caráter e nos faz testemunhas fiéis diante dos homens e diante de Deus.

Quero concluir dizendo que a ganância é o maior mal que entrou em nossas igrejas com o nome de Evangelho da Prosperidade. Esse espírito que na verdade é o espírito de mamom tem estado em muitas igrejas, algumas vezes disfarçadamente e outras descaradamente.

Que o Senhor nos de sabedoria e discernimento espiritual para não cairmos nessa tentação.

Que o Senhor nos ajude!

Fonte:
[2] Kelly, J.N.D. I e II Timóteo e Tito, Introdução e Comentário. Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP. Reimpressão 1986: p. 130
[3] Grossi, Pedro,  Jornal O Tempo – Belo Horizonte (08/06/2012)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Jeremias: um exemplo de fidelidade


“A mim veio, pois, a palavra do SENHOR, dizendo: Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações. Então, lhe disse eu: ah! SENHOR Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança. Mas o SENHOR me disse: Não digas: Não passo de uma criança; porque a tosos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto eu te mandar falarás. Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o SENHOR. Depois, estendeu o SENHOR a mão, tocou-me na boca e o SENHOR me disse: Eis que ponho na tua boca as minhas palavras. Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e também para edificares e para plantares. Tu, pois, cinge os lombos, dispõe-te e dize-lhes tudo quanto eu te mandar; não te espantes diante deles, para que eu não te infunda espanto na tua presença”. Jr 1. 4-10, 17.     

Quando nos voltamos para as escrituras somos surpreendidos com o tipo de pessoas que Deus usa para realizar os seus projetos. Muitas vezes, para nosso desapontamento, os homens e mulheres bíblicos não foram os heróis que imaginamos. Não encontramos modelos impecáveis de virtude. Por exemplo: Abraão mentiu; Jacó enganou; Moisés assassinou e murmurou; Davi cometeu adultério, e Pedro blasfemou. E quando nós olhamos para eles muitas vezes nós nos vemos, e isso porque nós fomos moldados no mesmo barro que eles. A Bíblia recusa-se a alimentar a nossa ânsia por cultuar heróis para que possamos somente cultuar Aquele que nos chamou assim como chamou esses personagens bíblicos.

Quando procuramos nas escrituras alguém que se encaixe em uma vida de fidelidade, meus olhos recaem sobre a vida do profeta Jeremias. Poderíamos citar muitos outros exemplos, no entanto eu vejo na vida desse homem um exemplo de fidelidade no sofrimento e não no prazer.

Hoje em dia fala-se muito sobre “uma vida de excelência”, se existe alguém que se encaixe bem dentro desse contexto bíblico é o profeta Jeremias. O seu livro nos deixa claro que a excelência é resultado de uma vida de fé, de estar mais interessado em Deus do que em si mesmo, e que tem pouco a ver com autoestima, conforto ou realizações.

As qualidades marcantes em sua vida são sua bondade, sua virtude e sua excelência. Ele viveu a vida em sua totalidade. No entanto, sua piedade não o livrou das dificuldades, pois enfrentou esmagadoras tempestades de hostilidade e fúria de dúvidas amargas. A bondade de Jeremias não se traduzia em “ser bonzinho”. A palavra mais adequada talvez fosse bravura. Por que falamos isso? Porque durante seu ministério público de quarenta anos e meio às mais confusas e caóticas décadas de toda a história de Judá, Jeremias foi invencível. Por diversas vezes seu íntimo foi tomado por intensa agonia, porém Jeremias nunca se desviou do curso traçado por Deus. Ele foi cruelmente escarnecido e severamente perseguido, mas jamais mudou a sua posição. Havia sobre ele uma tremenda pressão para que mudasse, fizesse concessões, desistisse e se escondesse. Jeremias, porém, jamais aceitou fazer qualquer destas coisas. Ele portou-se como “muros de bronze”.

JEREMIAS: UM PROFETA AS PORTAS DO CATIVEIRO

O ministério profético de Jeremias foi dirigido ao Reino Sul (Judá), durante os últimos quarenta anos de sua história (626-586 a.C.). Ele viveu para ser testemunha das invasões babilônicas em Judá, que resultaram na destruição de Jerusalém e do templo. Tudo isso ocorreu porque a nação não deu ouvidos a voz do Senhor por intermédio do seu profeta (cf. Jr 6.8,10, 14,15, 22,23, 7.24). Jeremias testemunhou a queda de Jerusalém, capital de Judá, esmagada sob as forças do exército babilônico. Presenciou todos os horrores da guerra que proclamou, pois parte das suas profecias se cumpriram enquanto estava vivo.

JEREMIAS: UM PROFETA QUE VIVIA O QUE PREGAVA

A função de um profeta é convocar as pessoas a viverem bem, de forma certa – a serem humanas. Porém, isso é mais do que apenas transmitir essa mensagem, é necessário também vivê-la. O profeta deve ser aquilo que prega. Da mesma forma, nós crentes em Jesus temos a obrigação de viver o que pregamos principalmente os pastores, pois são os primeiros a exortarem a igreja a ter uma vida com Deus e, infelizmente, pelo que temos visto por aí, alguns são os últimos a tentarem por em prática o que pregam.  Abençoam as famílias, mas são divorciados. Pregam a fidelidade, mas são infiéis. Falam sobre liberalidade, mas são apegados ao dinheiro. Dizem que tudo que fazem é para glória de Deus, mas estão visando mesmo é a sua glória. Dizem que estão à sombra da cruz, mas estão mesmo é a luz dos holofotes. Pregar é muito fácil, difícil é ser como Jeremias, coerente com o que se está pregando.

AS CONSEQÜÊNCIAS DA FIDELIDADE DE JEREMIAS

1º – VIDA SOLITÁRIA (Jr 16.1-4)

“Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Não tomarás mulher, não terás filhos nem filhas neste lugar. Porque assim diz o SENHOR acerca dos filhos e das filhas que nascerem neste lugar, acerca das mães que os tiverem e dos pais que os gerarem nesta terra: Morrerão vitimados de enfermidades e não serão pranteados, nem sepultados; servirão de esterco para a terra. A espada e a fome os consumirão, e o seu cadáver servirá de pasto às aves do céu e aos animais da terra”.
O celibato e a austeridade de Jeremias eram sinais da chegada de tempos difíceis e, de desastre para Judá. O profeta envidou todos os seus esforços para cumprir sua missão, esquecendo os confortos e prazeres pessoais. Não lhe restaria tempo para cumprir seus deveres normais como marido e como pai. Era um tempo ruim para constituir família em Jerusalém. De fato, não haveria mais células familiares após o exército babilônico terminar a matança. O Senhor diz para Jeremias: “Eis que farei cessar neste lugar, perante vós e em vossos dias, a voz de regozijo e a voz de alegria, o canto do noivo e a da noiva” (Jr 16.9). A nação de Judá estava próxima do fim, e no fim também deveria estar seu regozijo. Assim, antes que tudo acontecesse, o profeta tinha de retirar-se de toda a ocasião de felicidade. O profeta Jeremias veria, com os próprios olhos, a calamidade que terminaria com a alegria da nação.

Se o sofrimento do profeta já era grande, imagine se ele perdesse a família? Seria muito maior seu sofrimento. Às vezes Deus nos impede de termos determinadas coisas para nos poupar de sofrimentos maiores posteriormente.

2º – SOFRIMENTO FÍSICO (Jr 20.1-3)

“Pasur, filho do sacerdote Imer, que era presidente da Casa do SENHOR, ouviu a Jeremias profetizando estas coisas. Então, feriu Pasur ao profeta Jeremias e o meteu no tronco que estava na porta superior de Benjamim, na casa do SENHOR. No dia seguinte, Pasur tirou Jeremias do tronco. Então, lhe disse Jeremias: O SENHOR já não te chama Pasur e sim, Terror-Por-Todos-Os-Lados”.

Jeremias acusou os líderes de Judá de renderem-se a um sistema religioso que lhes garantia o sucesso em qualquer um de seus empreendimentos, mas que, ao mesmo tempo, eles estavam abandonando o Deus que os havia chamado para uma vida de amor e fé. Jeremias também os acusou de utilizar elementos religiosos dos povos que os cercavam, criando um ritual religioso visando aos benefícios da luxúria, manobrando fórmulas religiosas a fim de obter prosperidade financeira. Não está nada diferente os dias atuais da do tempo do profeta Jeremias, quantas igrejas hoje que mais parece um centro espírita do que uma igreja evangélica é tanto galho de arruda, tanto sal grosso, tanta espada de São Jorge que misericórdia! Outras, mais parecem um comitê político, os púlpitos viram palanques e o nome do Senhor tem sido usado não para levar as pessoas a se converterem dos seus maus caminhos, mas para fazer com que estes que os escutam votem neles. O povo não passa de massa de manobra nas mãos desses falsos crentes. E muitos ainda dizem que estão ali por ordem do Senhor Jesus, inclusive pastores. O tempo passa, mas o homem continua o mesmo. E quem ousa se levantar contra essa gente é perseguido ferozmente, quando não, são rotulados como crente sem visão, que não tem as revelações de Deus, e por aí a fora. Meu irmão, seja um Jeremias, não se venda a essa gente, não lhes dê atenção. Não troque o pouco de Deus pelo “muito” do diabo. Jeremias sofreu na pele por ser fiel a Deus, mas ele não foi o único. Muitos antes dele sofreram e depois dele também. Mas o fim é a glória que está reservada para os fiéis.

3º – CRISE EXISTENCIAL (Jr 20.7-9)

“Então eu disse a Deus: O SENHOR me convenceu a ser profeta, e eu aceitei pensando que seria protegido. O SENHOR foi mais forte do que eu e me obrigou a anunciar suas palavras. E veja o resultado! Hoje toda a população de Jerusalém ri às minhas custas! Porque sempre me obrigou a gritar alto, anunciando castigo e destruição? Por causa disso, todos zombam de mim e já não posso sair à rua sem passar vergonha! E apesar de tudo isso, não posso deixar de falar sobre o SENHOR. Se penso em parar, as suas palavras queimam como fogo no meu coração e nos meus ossos, o sofrimento é tanto que não posso agüentar” (Bíblia Viva). O próprio texto fala por si.

Fidelidade a Deus, muitas vezes gera perseguição e morte, veja o que o apóstolo Paulo falou a esse respeito: “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3.12). E foi exatamente isso que John Wycliffe sofreu.

John Wycliffe viveu aproximadamente entre 1320 e 1384. Discordando frontalmente da postura da igreja oficial da sua época, Wycliffe defendia a idéia de que as pessoas deveriam ler a Bíblia em sua própria língua. “As Escrituras Sagradas são propriedade do povo e ninguém pode tirá-las do povo. Cristo e seus discípulos converteram o mundo fazendo a Bíblia conhecida de um modo que lhes era familiar… Oro com todo o meu coração para que, fazendo o que este livro recomenda, possamos todos chegar à vida eterna”, disse certa vez.

Como foi que John Wycliffe pôs a Bíblia nas mãos dos ingleses? Primeiro, ele organizou um grupo e começou a traduzi-la da Vulgata, a tradução latina. Em 1382, John Wycliffe havia traduzido o Novo Testamento para o inglês. Cada linha de sua tradução foi escrita a mão; a imprensa só seria inventada 68 anos depois. Quando a obra se completou, Wycliffe procurou homens que pudessem ensinar as verdades da Bíblia ao povo inglês. Esses homens, foram treinados por ele e ficaram conhecidos pelo nome de lolardos, viajavam por todo o país, de dois em dois, pregando e ensinando a Bíblia.

A igreja oficial tentou destruir a tradução, mandou prender Wycliffe e o declarou culpado de corrupção da igreja. Wycliffe perdeu o emprego como professor na Universidade de Oxford, e foi excluído da igreja. Doente, retirou-se para o interior do país, onde veio a falecer. Foi tão odiado que em 1415, ou seja, 31 anos depois da sua morte, seus ossos foram queimados em praça pública por ordem do Papa, e as cinzas lançadas no rio Swift, como símbolo da destruição de sua memória.

A memória e o exemplo de Wycliffe, porém, continuam vivos ainda hoje. Existe até uma sociedade missionária – os tradutores da Bíblia de Wycliffe – cujo ministério consiste em traduzir a Palavra de Deus para outros idiomas; o grupo já conseguiu fazê-lo para cerca de 650 línguas. A grande preocupação hoje da maior parte dos editores da Bíblia é colocá-la na linguagem do povo, herança de um teólogo que por causa da Bíblia se fez maldito.

Jeremias, assim como Wycliffe pagaram um alto preço por serem fiéis a Deus. E você? A sua fidelidade a Deus tem gerado perseguição em sua vida? O apóstolo Pedro nos fala em sua primeira carta que se pelo nome de Cristo somos injuriados, bem-aventurados somos, porque sobre nós repousa o Espírito da glória e de Deus (1Pe 4.14). E completa dizendo: “Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome”. (1Pe 4.15,16). A perseguição pode vir sobre a nossa vida, mas que seja pela nossa fidelidade a Deus e não por estarmos sendo infiéis a Ele.

O final de Jeremias não é conclusivo. Nós gostaríamos de saber o seu fim, mas não sabemos. O capitulo 44 retrata como o profeta Jeremias passou grande parte da sua vida, pregando a Palavra de Deus para um povo que o desprezava. Uma parte do povo que conseguiu fugir para o Egito passou a adorar os deuses de lá e a queimar-lhes incenso. O Senhor foi trocado pela Rainha do Céu. Mas lá no Egito, um lugar que ele não gostaria de estar, tendo ao lado pessoas que o trataram de forma cruel, ele prosseguiu fiel e corajosamente, sob o fardo de uma impiedosa rejeição.

Existe uma fonte extra bíblica chamada “lives of the prophets” de Charles Curtle Terrey que diz Jeremias morreu no Egito, apedrejado até a morte pelos judeus. Ele foi enterrado no lugar onde se erguia o palácio do Faraó; pois era honrado pelos egípcios, em virtude dos benefícios que haviam recebido por intermédio dele. Mediante suas orações, as serpentes, chamadas de epoth pelos egípcios, haviam ido embora. Bem disse Jesus: “Não há profeta sem honra, senão na sua terra e na sua casa” (Mt 13.57).

Profeta vive para Deus e procura fazer a Sua vontade, ainda que para isso tenha que sofrer retaliações. Profeta luta pela causa de Deus sem medo dos homens. “Profeta é aquela pessoa que cria um problema, revelando o problema a fim de solucionar o
problema”.

A atuação apaixonada dos profetas tem um significado central, que é a representação em pequena escala dos sentimentos e intenções do próprio Deus. É Deus escolhendo uma pessoa para falar em nome dele, para que o povo pudesse ver e ouvir o drama de Deus no drama de um ser humano. E quando isso acontece, o profeta se torna o nervo exposto de Deus, pois sua sensibilidade ao mal e à injustiça aumenta a níveis quase insuportáveis. O nervo exposto do profeta é uma janela para entendermos o caráter de Deus e que, como tal, provoca dores intensas. Profeta é muito mais do que previsão de eventos futuros, é Deus chamando de volta para si os que o rejeitaram.

Bibliografia:
GRAY, Alice. Histórias Para o Coração. Jimmy Durante. 1ª Ed. Editora United Press, Editora Hagnos. São Paulo, SP: 2001 reimpressão – setembro – 2004.
GUEDES, Marson. O Caminho de Jeremias. 1ª ed. Associação Religiosa Editora Mundo Cristão. São Paulo, SP: 2004.
ORTBERG, John. Somos Todos (A)Normais? 1ª ed. Editora Vida. São Paulo, SP: 2005.
PETERSON, Eugene. Corra Com os Cavalos. 1ª ed. Editora Textos, RJ e Editora Ultimato, MG: 2004.

Fonte: napec